
O que é a sobrepesca?
A pesca é um negócio de peso. Por ano, a indústria piscatória escoa cerca de 240 milhões de dólares, em todo o mundo.
A sobrepesca é um dos principais fatores responsáveis pelo declínio da vida selvagem marinha. A captura do peixe não é prejudicial para os oceanos se for praticada de forma responsável. No entanto, quando a atividade piscatória atinge dimensões massivas com grande rapidez, torna-se difícil para a população marinha restaurar-se. Ou seja, a sobrepesca acontece quando uma espécie é pescada para além da sua capacidade natural de reprodução. É o ato de retirar do ambiente mais do que este consegue reproduzir.
Algumas práticas de pesca acabam por ser mais prejudiciais que outras, como é o exemplo da “rede de arrasto”, uma prática de pesca não seletiva. Isto é, em vez de pescarem a espécie procuradas, acabam por capturar diferentes espécies, causando a perda desnecessária de milhares de milhões de peixes, juntamente com centenas de milhares de tartarugas marinhas e cetáceos, por exemplo. Além disso, esta prática não só elimina as diferentes espécies mas também os seus habitats, uma vez que a rede de arrasto é uma das principais razões da perda de recifes.
A sobrepesca não só põe em risco os ecossistemas marinhos mas também os milhares de milhões de pessoas que dependem do peixe como uma fonte essencial de proteínas.
Entre as espécies mais pescadas encontram-se o atum rabilho, atum albacora, pescada, alabote da Gronelândia, camarão, entre muitas outras (podes encontrar a lista completa na Lista Vermelha da Greenpeace). Com a população mundial a aumentar diariamente, o consumo de peixe aumenta também, o que significa mais pesca.
Segundo a WWF, se continuarmos a consumir peixe ao ritmo atual, os stocks de todas as espécies actualmente pescadas para alimentação estarão em risco.

Juan Moro from Getty Images
Podemos reverter a situação?
Com a oferta incapaz de satisfazer a procura, devem ser implementadas novas abordagens mais sustentáveis.
1. LIMITAR A PESCA
Deve haver certos limites para a captura de peixe existir um maior esforço para respeitar os pareceres científicos. Os navios de pesca devem seguir as regras nacionais e locais (regulamentos) quando pescam. Estas regras destinam-se a proteger os recursos piscícolas e a tornar a pesca responsável.
A Direção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) apresenta algumas das principais medidas de gestão aplicáveis à pesca de algumas das principais espécies em águas nacionais. (Clica aqui para saberes mais)
Estas regras teriam um impacto positivo se fossem estritamente seguidas pelos pescadores e empresas de pesca. No entanto, a luta está a ser difícil, uma vez que os pescadores competem para capturar o maior número possível de peixes para obter mais lucro.

Fonte: Istock
2. CONSUMO RESPONSÁVEL
A sobrepesca tem causado o esgotar dos recursos haliêuticos. As pessoas não têm noção de que o peixe que comem está a escassear. Estamos a consumir mais do que aquilo que precisamos. As espécies estão a morrer.
Está nas nossas mãos mudarmos os nossos hábitos de consumo e optarmos pela sustentabilidade. Evitar comprar as espécies de peixe e marisco ameaçadas ajudará a diminuir a procura e a reduzir o número de pescado capturado.
O Fish Forward - um projeto de sensibilização para os impactos sociais e ambientais do consumo de pescado - foi criado em 2015, com o objetivo de sensibilizar os consumidores a escolherem pescado de forma responsável. Para saberes mais sobre a escolha de pescado responsável, visita o Guia de Pescado do projeto.
3. PROIBIR A PRÁTICA ILEGAL
A prática piscatória ilegal feita por grupos de pescadores irresponsáveis danifica a vida marinha a altos níveis. Estes pretendem obter lucros, sem pensarem nas consequências.
As empresas de pesca não registadas e alguns dos navios de pesca estrangeiros são responsáveis por esta prática ilegal.
Se a prática ilegal continuar, os danos causados serão ainda mais difíceis de controlar. O combate a este crime ajudará a pesca a desenvolver e manter o stock de peixe num nível permitido.
A Environmental Justice Foundation, por exemplo, está a trabalhar para proteger os oceanos, acabar com a pesca ilegal e erradicar os abusos dos direitos humanos provocados por esta actividade ilícita.
4. CRIAR MAIS ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS
Atualmente, menos de 2% dos oceanos estão protegidos de qualquer tipo de pesca. Deveria haver mais zonas sem capturas para permitir que as populações de peixes e os seus ecossistemas se recuperem e se reconstituam para assegurar a pesca para as gerações futuras.
Mais importante que “mais” áreas marinhas protegidas, é a proteção a 100% das que já existem, ou seja, não serem permitidas extrações de qualquer recurso.
5. ACABAR COM A PESCA DE ARRASTO
Tal como já mencionado anteriormente, as redes de arrasto varrem o fundo dos mares deixando apenas um rasto de destruição. Além disso, são capturadas várias espécies, desnecessariamente, e deitadas ao mar, depois de mortas.
A proibição desta prática salvará muitas vidas marinhas. E assim, será mais fácil manter o número de peixes capturados sob controlo.
6. CONSCIENLIZAÇÃO DAS SOCIEDADES
Utilização de publicidade, jornais, redes sociais e qualquer outro tipo de canais de comunicação social para informar a sociedade de que qualquer pessoa pode ajudar na luta contra a sobrepesca. Vamos juntar-nos para fazer a mudança.
